Poesias 6
Geopoética: Afluxo
Razão
À rasa
Várzea
Em vazão
Vaza
A fronte
A fonte
A ponte
Leito
Chora, pia
Batiza
À margem, nascente
Geopoética: Cidade Troll
Troll
Mutante
Criatura Mitológica
Em proll do avanço
Constante mente
Sem lógica
Segue
Sem escrúpulo
Avançando o farol
No crespúsculo
Sem Sol
Devastando a natureza no seu curso
Como a fúria de um trator
Consumindo seus recursos
O seu ronco é qual motor
Que não descansa
Sem pudor ou sem ter culpa
O espaço que ele ocupa
Não amansa
O tamanho que ele alcança
Cresce desproporcional
Horizonte deformado
Pela espinha vertical
Espaçoso e regulado
Destroçando as camadas
Tão faminto, quase engole
Comendo pelas beiradas
Poupando o miolo mole
Dentro da perspectiva
De excluir o raciocínio
Segue o Troll na expectativa
De expandir o seu domínio
OMANOPOLIO
Mano, Tensão
Na manada matina
Te mata
Na sombra do Estado
Mano faturado
Manobra
Na obra
Na sobra
Mané
Na mão, na maneira
Já manja, “The Man”
Que a maná que emana
Foi mana... Mahuê
Aueia
Aeee
Terra Selvagem
Perdido no meio do tiroteio
Me encontro
De um lado
Entreguistas ameaçam nossos lares
Do outro
Populistas populares se fazem de heróis
Para nós
Mas a verdade é que estamos sós
Sem voz
Quase roucos
Quase loucos
Quase mudo
Essa muda que não cresce e aparece
Que não se transforma em planta
Não floresce da garganta
Mantém-se muda
Se mente
Se omite
Se esbarra no berro
No ferro, na barra
Há garra
Presas expostas
Nas ruas
Costas nuas
Mesa posta na bandeja
Que agora essa terra
Já há quem de fora enseja
Faz-se declarada a guerra
Não existe panaceia, tronco ou erva
Pra podar essa desordem já plantada
Pois essa raiz que enerva
Não reserva mais a paz, mas fúria urbana
Fúria humana
A fúria dos animais
Má Nutrição
Tempão
Tentando
Sem pão
Sustentando
Sem nada na mesa
Nos dão sobremesa
Um doce pra desamargar
A mente lavar e a vida levar
Ser feliz?
Quem me diz?
Quem me fala?
Recebe uma bala
A rapa é dura
Não dura, desfaz
Se faz uma escolha
Se vai a escola
Sobre mesa, cadeira e aprendiz
O doce no ouvido, na boca e nariz
Somente o ardor no final
Revela outro gosto: Tortura
A vida sem sal, nos faz mal:
Dá tontura
O rosto no espelho
O olho vermelho
No peso da população saturada
Desnutrida, inchada
Sem fibra na massa
Sem verde ou fartura
Nem perspectiva futura
Quem caça
Essa carne escassa?
Quem cura
Essa taça escura?





